Protomártires do Brasil, 30 mártires que deram suas vidas
Santo do Dia – 03 de Outubro

Protomártires do Brasil,
30 Mártires que Deram suas Vidas · † 1645
O Contexto

O catálogo dos mártires da Igreja inclui, além dos que sofreram perseguições do mundo pagão, também outros que deram a vida para se manterem fiéis ao catolicismo e ao Romano Pontífice, vítimas de cristãos contra outros cristãos, divididos por interpretações doutrinárias.
Este é o contexto das guerras religiosas, que ensanguentaram a Europa e os países por ela colonizados entre os séculos XVI e XVII. A história do martírio do Padre André de Soveral e do Padre Ambrósio Francisco Ferro, do leigo Mateus Moreira e dos seus XXVII Companheiros, beatificados pelo Santo Padre João Paulo II a 5 de Março de 2000, deve ser vista também neste horizonte.
A evangelização no Rio Grande do Norte, estado do Nordeste do Brasil, teve início em 1597 com a catequese dos índios e com a formação das primeiras comunidades cristãs por missionários jesuítas e padres diocesanos, vindos do Reino Católico de Portugal.
A perseguição holandesa
Nas décadas seguintes aconteceram desembarques de franceses e holandeses naquelas terras, com a intenção de expulsar os portugueses dos lugares colonizados. Em 1630 os holandeses conseguiram seu intento, estabelecendo-se na região Nordeste do Brasil.
Eles, de confissão calvinista e acompanhados de seus pastores, determinaram um forte conflito na até então pacífica área, devido à restrição da liberdade de culto aos católicos, que eram perseguidos a partir daquele momento. Neste contexto ocorreu o martírio dos Beatos considerados na presente Causa:
– A primeira ocorreu em 16 de julho de 1645 em Cunhaú, na capela de Nossa Senhora da Purificação ou das Velas, oficiada pelo Padre André de Soveral;
– A segunda ocorreu no dia 3 de outubro do mesmo ano em Uruaçu, na paróquia Nossa Senhora da Apresentação, sob a direção do padre Ambrósio Francisco Ferro.
O martírio de Cunhaú
O padre André de Soveral, pároco de Cunhaú, nasceu por volta de 1572 em São Vicente, na ilha de Santos; aos 21 anos ingressou na Companhia de Jesus e, ao término dos estudos, foi enviado para Olinda, em Pernambuco, centro missionário de catequese dos índios de toda a vasta região. A partir de 1607, depois de deixar os jesuítas, o encontramos como membro do clero diocesano e pároco de Cunhaú: na época do martírio tinha 73 anos.
No domingo, 16 de julho de 1645, enquanto celebrava missa na capela local, Jacó Rabe apareceu, anunciando importantes comunicações das autoridades governamentais. Logo após a consagração, um grupo de soldados holandeses, com índios das tribos Tapuias e Potiguari a reboque, todos armados, invadiu o local sagrado, trancou suas portas e atacou ferozmente os fiéis indefesos.
Padre André de Soveral, forçado a interromper a celebração, conseguiu cantar as orações dos moribundos com os fiéis. Todos foram massacrados à espada, exceto cinco fiéis portugueses que foram feitos reféns. Os assassinos saquearam os cadáveres de roupas e objetos, depois fizeram estragos. Os católicos mortos em Cunhaú eram ao todo mais de sessenta, mas só se sabe o nome do pároco e do leigo Domingo Carvalho.
O martírio de Uruaçu
O segundo momento do martírio ocorreu cerca de três meses depois, em 3 de outubro de 1645, em Uruaçu.
Tomados pelo terror do que aconteceu em Cunhaú, os católicos de Natal tentaram encontrar segurança em abrigos improvisados, mas em vão. Presos, juntamente com seu pároco, padre Ambrósio Francisco Ferro, foram transferidos para perto de Uruaçu, onde soldados holandeses e cerca de 200 índios os esperavam sob o comando do cacique Antonio Paraopaba, que, convertido ao protestantismo calvinista, havia uma verdadeira aversão aos católicos.
Os fiéis e seu pároco foram horrivelmente torturados e deixados para morrer em mutilações desumanas, que até mesmo o cronista da época teve horror de descrever em detalhes.
Os 30 mártires identificados
Dos numerosos fiéis assassinados por sua fé em 16 de julho e 3 de outubro de 1645, e para os quais uma sólida reputação de martírio se manifestou imediatamente, apenas 30 puderam ser identificados com certeza. A lista é, portanto, a seguinte:
1. Padre André de Soveral, pároco diocesano
2. Domingo Carvalho
1. Padre Ambrósio Francisco Ferro, pároco diocesano
2. Antônio Vilela, o Jovem
3. José do Porto
4. Francisco de Bastos
5. Diego Pereira
6. João Lostao Navarro
7. Antônio Vilela Cid
8. Estêvão Machado de Miranda
9. Vicente de Souza Pereira
10. Francisco Mendes Pereira
11. João da Silveira
12. Simão Correia
13. Antonio Baracho
14. Mateus Moreira
15. João Martins
16. Manuel Rodrigues Moura
17. Esposa de Manuel Rodrigues Moura
18-24. Sete jovens companheiros de João Martins
25. Filha de Antônio Vilela, o caçula
26. Filha de Francisco Dias, o menor
27-28. Duas filhas de Estêvão Machado de Miranda
O processo da causa
O relato mais antigo dos dolorosos acontecimentos foi escrito vinte dias após o massacre de Uruaçu, no Breve, Verdadeiro e Autêntico Relato das Últimas Tiranias e Crueldades que os Holandeses usaram contra os Habitantes do Rio Grande, de Lopo Curado Garro. Através de uma tradição ininterrupta, a memória do martírio chegou aos nossos dias.
No entanto, foi apenas no início do século XX que a compreensão da motivação religiosa em torno dos Mártires do Rio Grande do Norte se intensificou e começaram a ser feitas considerações concretas sobre a possibilidade de iniciar o processo de beatificação. Surgiram, portanto, publicações novas e credenciadas de caráter histórico, organizaram-se peregrinações aos lugares do martírio, celebraram-se congressos para comemorar os 300 anos do martírio.
Em vista da Beatificação
O Processo propriamente dito foi iniciado em 1989 pelo terceiro Arcebispo de Natal, Monsenhor Alair Vilar Fernandes de Melo. O nihil obstat para a Causa foi concedido pela Santa Sé em 16 de junho de 1989. Enquanto isso, em 13 de outubro de 1991, o Santo Padre João Paulo II, durante a homilia da Missa de encerramento do XII Congresso Eucarístico Nacional em Natal, com sua referência ao testemunho do martírio do leigo Mateus Moreira, deu mais impulso à Causa.
O inquérito diocesano ocorreu no mês de maio de 1994 na Cúria metropolitana de Natal. Em 25 de novembro do mesmo ano, a Congregação para as Causas dos Santos reconheceu sua validade jurídica com um Decreto. A posição super martyrio foi submetida com resultado favorável ao julgamento dos Consultores Históricos em 28 de outubro de 1997. Posteriormente, em 23 de junho de 1998, os Consultores Teológicos expressaram sua opinião positiva sobre o alegado martírio.
Os Cardeais e os Bispos, na Sessão Ordinária de 10 de novembro de 1998, reconheceram que os Servos de Deus foram mortos in odium fidei. Em 21 de dezembro de 1998, São João Paulo II promulgou o decreto sobre o martírio dos 30 Servos de Deus, por ele beatificados na Praça de São Pedro durante o Grande Jubileu de 2000, domingo, 5 de março.
Em vista da Canonização
Recentemente, seguindo o interesse popular e as novas iniciativas autorizadas de toda a Conferência Episcopal Brasileira para a esperada canonização dos Beatos Mártires do Rio Grande do Norte, a Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores recebeu dos Atores a tarefa, com autorização prévia da Congregação para as Causas dos Santos, de elaborar uma Positio especial para reunir as provas que fundamentam o pedido de canonização formal, com dispensa do estudo de um milagre específico.
As fontes recolhidas após a beatificação atestam o crescente aumento da devoção aos Bem-aventurados Mártires, mesmo fora dos limites da Arquidiocese de Natal, a extensão do culto, a contínua fama signorum, a indiscutível atualidade pastoral do testemunho dos 30 mártires, dos quais 28 são leigos, alguns dos quais formam famílias.
A esperada canonização dos Protomártires do Brasil visa colocar no castiçal da santidade o supremo testemunho de martírio de toda uma comunidade evangelizada, para que seja modelo, guia e conforto para as novas gerações de cristãos, chamados a enfrentar a secularização generalizada e as novas heresias do mundo contemporâneo.
Os Eminentes Cardeais e Bispos da Congregação para as Causas dos Santos, reunidos em Sessão Ordinária, no dia 14 de março de 2017, tendo examinado a Positio super Canonizatione, fizeram votos para que o Santo Padre procedesse, se assim o considerasse oportuno, à desejada canonização. Esta opinião foi aceita por Sua Santidade o Papa Francisco.
Protomártires do Brasil, rogai por nós!
Protomártires — Do grego prōtos (“primeiro”) e mártys (“testemunha”). Designa os primeiros mártires de uma terra ou de uma comunidade, aqui, os primeiros a derramar o sangue pela fé em solo brasileiro.
“Oração – Ó Deus, que concedestes aos Protomártires do Brasil a graça de darem a vida pela fé e pela Eucaristia, dai-nos a coragem de vos permanecermos fiéis em todas as provações, para que, como eles, possamos testemunhar o vosso amor até o fim. Amém.”
Protomártires do Brasil, rogai por nós!
Outros santos e beatos que a Igreja faz memória em 03 de outubro:
1
Convertido a Cristo quando o Apóstolo São Paulo falou no Areópago, foi constituído primeiro bispo de Atenas.
† s. I
2
Mártir. Em Roma, no cemitério de Ponciano, junto à Via Portuense.
† data inc.
3
Confessores da fé. Em Alexandria, no Egito. No tempo dos imperadores Décio e Valeriano, por ordem do prefeito Emiliano, sofreram muito, juntamente com o bispo Dionísio; a eles se associa Fausto, que sofreu o martírio no tempo do imperador Diocleciano.
† s. III/IV
4
Monge. Em Mayuma, na Palestina. Foi discípulo de Santo Hilarião e seu companheiro de peregrinação.
† s. IV
5
Bispo de Bagai, na Numídia, na atual Argélia. Repetidamente torturado pelos hereges, foi depois precipitado do alto de uma torre e abandonado como morto; mas, recolhido por uns transeuntes, recuperou a saúde e não desistiu de lutar pela fé católica.
† c. 410
6
Bispo. Em Toulon, na Provença, região da Gália, agora na França. Discípulo de São Cesário de Arles, defendeu em vários sínodos a verdadeira fé sobre a graça, ensinando que ninguém pode por si só alcançar as realidades divinas, se antes não é chamado pela graça de Deus.
† d. 543
7
Mártires. Na Saxónia, território da atual Alemanha. Presbíteros naturais da Inglaterra, seguindo o exemplo de São Vilibrordo e seus companheiros, partiram para evangelizar os Saxões; tendo começado a anunciar-lhes Cristo, foram presos pelos pagãos e padeceram o martírio.
† 695
8
Fundador e primeiro abade do mosteiro de Metten, na Baviera, atualmente na Alemanha.
† 802
9
Primeiro abade do mosteiro de Brogne, por ele mesmo fundado, no território de Namur, na Lotaríngia, na atual Bélgica. Empenhou-se pela renovação da disciplina monástica na Flandres e na Lotaríngia e reconduziu muitos cenóbios à originária observância da regra.
† 959
10
Bispo. Em Chur, no território dos Helvécios, hoje na Suíça. Discípulo de São Bernardo em Claraval, foi admirável exemplo de observância monástica.
† 1160
11
Presbítero da Congregação dos Terciários Capuchinhos de Nossa Senhora das Dores e mártir. Em Madrid, na Espanha. Durante a perseguição contra a fé, derramou o seu sangue por Cristo.
† 1936
12
Religioso da Ordem dos Carmelitas e mártir. Em Barcelona, também na Espanha. Foi assassinado na mesma perseguição contra a Igreja.
† 1936
Dicastério para as Causas dos Santos (causesanti.va) · Martirológio Romano · Pesquisa e redação: Leonardo Girott


A Revelação escrita atesta a existência dos anjos
justificam o culto especial que os cristãos reservam aos anjos desde os primeiros tempos.
A jovem e humilde carmelita que abriu, na espiritualidade católica, um caminho novo para atingir a santidade — a célebre “Pequena Via” –, foi declarada pelo Papa João Paulo II Doutora da Igreja.
Com São Nicécio, Bispo de Treveris, que, segundo o testemunho de São Gregório de Tours, era veemente na pregação, terrível na repreensão, consistente no ensino.
São Jerônimo foi um desses homens raros, e a simples enunciação do seu nome é mais expressiva do que qualquer elogio.
Morreu em Belém no ano 420.
São Jerônimo, rogai por nos!
Oração – ajudai-nos a considerar o ensinamento que nos vem da Bíblia acima de qualquer outra doutrina, já que é a palavra e o ensinamento do próprio Deus. Amém
Com São Francisco de Borja, descendente da família Borja. Nasceu em Gandia, Espanha, em 1510. Casado e pai de 8 filhos, foi vice-Rei da Catalunha, mas jamais descuidou da sua fé. Viúvo, deixou tudo e entrou para a Companhia de Jesus, da qual foi Comissário Geral. Fundou as Missões na América do Sul.
Martirológio – Secretariado Nacional de Liturgia – PT
Os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael são investidos de cargos diferentes. Celebrados, antes, em datas diferentes, mas, com as reformas do Concílio Vaticano II, agora são recordados em um só dia.

É ele quem anuncia o nascimento de João Batista e de Jesus. Portanto, anuncia o surgimento de uma nova era, um tempo de esperança e de salvação para todos os homens.
guia e seu protetor nas adversidades.
São Venceslau nasceu em Praga, República Checa, em 907. Foi educado como cristão por sua avó Santa Ludmila.
Estabeleceu retiros espirituais, criou seminários, instituiu a congregação das filhas da Caridade, fundou um hospital de crianças relegadas, hospitais para velhos, insanos, presos e mendigos.
São Vicente de Paulo, rogai por nós!
Oração – Ó glorioso São Vicente de Paulo, celeste padroeiro de todas as obras de caridade, durante vossa vida nunca rejeitastes aos que a vós recorriam, vede a imensidade de males que nos afligem. Alcançai de Deus socorro aos pobres, alívio aos doentes e aflitos, proteção aos abandonados, caridade aos ricos, conversão aos pecadores, paz à Igreja e salvação a todos os povos.
Vicente é originado a partir do nome em latim Vincentius, deriva de vincente, particípio passado do verbo vincere, que significa “vencer”
Com Santo Eleázar de Sabran, conde de Ariano, que, observando a virgindade e todas as virtudes com sua esposa, a Beata Delfina, morreu na flor da idade. Vivia a vida normal de um nobre da corte, o que na época implicava entre outras coisas, vestir roupas magníficas.
Martirológio – Secretariado Nacional de Liturgia – PT
tudo gratuitamente, por isso, são chamados de “anargiros”, isto é, sem dinheiro em grego .
As pedras e as flechas voltavam para os atiradores
O suplício dos dois irmãos é narrado pela Lenda Áurea, segundo a qual foram primeiro jogados no fogo, de onde saíram ilesos. Depois, foram condenados à lapidação, mas as pedras voltava-se contra os atiradores e as flechas lançadas pelos arqueiros feriram seus algozes.
e dali se espalhou por toda a Igreja do Ocidente
São Cosme e São Damião, rogai por nós!
Oração – São Cosme e Damião, que, por amor a Deus e ao próximo, vos dedicastes à cura do corpo e da alma de vossos semelhantes. Abençoai os médicos e farmacêuticos, medicai o meu corpo na doença e fortalecei a minha alma contra a superstição e todas as práticas do mal.
Cosme: Significa “ordem”, “ornamento”, “conjunto harmoniosamente composto”. Tem origem no nome grego Kosmâs, derivado da palavra kósmos, que quer dizer literalmente “ordem, ornamento ou conjunto harmoniosamente composto”.
Com São Gedeão, da tribo de Manassés, que foi juiz em Israel e, recebendo do Senhor o sinal do orvalho no velo de lã, com a fortaleza de Deus destruiu o altar de Baal e libertou o povo de Israel dos seus inimigos.
Martirológio – Secretariado Nacional de Liturgia – PT
São Firmino de Amiens era originário de uma família nobre de Pamplona, na Espanha.
Venerado pelo povo, odiado pelos pagãos
Amiens, Lesaka, da diocese de Pamplona, e co-patrono de Navarra, junto com São Francisco Xavier.
São Firmino, rogai por nós!
Oração – Ó Deus, que destes a São Firmino a força do apostolado e a graça de viver e praticar as virtudes de uma vida santa, a ponto de converter milhares de pagãos, dai também a nós a graça de sermos fiéis ao chamado que nos fizestes
É o diminutivo do nome do latim Firmus, derivado de firmus, que quer dizer “firme, constante, forte, vigoroso”.
Com São Cleofas, Discípulo do Senhor, em Emaús
Martirológio – Secretariado Nacional de Liturgia – PT
Na Panônia, no território da atual Hungria, São Gerardo Sagredo, bispo de Csanad e mártir, foi professor de São Emérico, príncipe adolescente, filho do rei Santo Estêvão.