São Carlos Borromeu, Arcebispo de Milão e Cardeal – 04 de Novembro

São Carlos Borromeu, Arcebispo de Milão e Cardeal

Santo do Dia – 04 de Novembro

São Carlos Borromeu

São Carlos Borromeu,

O Reorganizador da Igreja Católica · † 1584

Origens

São Carlos Borromeu Carlos, da ilustre família Borromeu, nasceu em 2 de outubro de 1538, em Arona, Itália. (Arona, no norte da Itália).

O menino revelou ótimo talento e uma inteligência rara. Ao lado dessas qualidades, manifestou forte inclinação para a vida religiosa, pela piedade e pelo temor a Deus. Ainda criança, era seu prazer construir altares minúsculos, diante dos quais, em presença dos irmãos e companheiros de idade, imitava as funções sacerdotais que tinha observado na Igreja. O amor à oração e o aborrecimento aos divertimentos profanos eram os sinais mais positivos da vocação sacerdotal.

O Sacerdócio e a Reorganização da Igreja Católica

O ano de 1562 veio a Carlos a graça do sacerdócio. No silêncio da meditação, Carlos lançou planos grandiosos para a reorganização da Igreja Católica. Esses todos se concentraram na ideia de concluir o Concílio de Trento. De fato, era o que a Igreja mais necessitava, como base e fundamento da renovação e consolidação da vida religiosa. Carlos, sem cessar, chamava a atenção do seu tio (que era Cardeal e foi eleito Papa, com o nome de Pio IV) para essa necessidade, reclamada por todos os amigos da Igreja. De fato, o Concílio se realizou, e Carlos quis ser o primeiro a executar as ordens da nova lei, ainda que, por essa obediência, tivesse de deixar sua posição para ocupar outra inferior.

A Caridade que abre corações

São Carlos sabia muito bem que a caridade abre os corações também à religião. Por isso, grande parte de sua receita pertencia aos pobres, reservando para si só o indispensável. Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos. Tudo isso não aguenta comparação com as obras de caridade que o Arcebispo praticou. Quando, em 1569-1570, a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram a cidade de Milão, não tendo mais o que dar, pedia ele próprio esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio que teriam ficado fechadas.

Consolava os Pobres

Quando, porém, em 1576, a cidade foi atingida pela peste e o povo abandonado pelos poderes públicos, visto que ninguém se compadecia do povo, ainda procurava os pobres doentes dos quais ninguém lembrava, consolava-os e dava-lhes os santos sacramentos. Tendo-se esgotado todas as fontes de recurso, Carlos lançou mão de tudo o que possuía para amenizar a triste sorte dos doentes. Mais de cem sacerdotes tinham pago com a vida, na sua dedicação e serviço aos doentes. Deus conservava a vida do Arcebispo, e esse se aproveitou da ocasião para dizer duras verdades aos ímpios e ricos esquecidos de Deus.

Encontro com o Papa

Gregório XIII não só rejeitou as acusações infundadas feitas ao Arcebispo, como também recebeu Carlos Borromeu em Roma, com as mais altas distinções. Em resposta a esse gesto do Papa, o governador de Milão organizou, no primeiro domingo da Quaresma de 1579, um indigno préstito carnavalesco pelas ruas de Milão, precisamente à hora da missa celebrada pelo Arcebispo.

“São Carlos Borromeu possui um coração bondoso com os malfeitores”

O mesmo governador, que tanta guerra ao Prelado movera e tantas hostilidades contra São Carlos estimulara, no leito de morte, reconheceu o erro e teve o consolo da assistência do santo Bispo na hora da agonia. Seu sucessor, Carlos de Aragão, duque de Terra Nova, viveu sempre em paz com a autoridade eclesiástica. O Arcebispo gozou desse período só dois anos.

A morte

Quando, em outubro de 1584, como era de costume, retirara-se para fazer os exercícios espirituais, teve fortes acessos de febre, aos quais não deu importância e dizia: “Um bom pastor de almas deve saber suportar três febres, antes de se meter na cama”. Os acessos renovaram-se e consumiram as forças do Arcebispo. Ao receber os santos sacramentos, expirou aos 03 de novembro de 1584. Suas últimas palavras foram: “Eis Senhor, eu venho, vou já”. São Carlos Borromeu tinha alcançado a idade de 46 anos.

Via de Santificação

Foi beatificado em 1602, por Clemente VIII e, depois, canonizado em 1610, por Paulo V, que fixou a festa do santo para o dia 4 de novembro. A grande influência de São Carlos Borromeu, pelo que realizou em Milão, serviu de exemplo para que a reforma da Igreja acontecesse em muitos outros países, no espírito do Concílio de Trento.

São Carlos Borromeu, rogai por nós!

Carlos — Significa “homem livre” ou “forte”. Tem origem no germânico Karl, que deu origem ao latim Carolus.

“Oração – Óh, grande bispo, que, na tua sabedoria, soubeste organizar a Igreja e adequá-la ao tempo, dai a mesma sabedoria aos nossos bispos e responsáveis para que sejamos sempre atuantes na sociedade e propagadores do evangelho como grande obra de caridade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

São Carlos Borromeu, rogai por nós!

São Félix de Valois — Companheiro de São João da Mata na fundação da Ordem da Santíssima Trindade para a Redenção dos Cativos.

Outros santos e beatos celebrados em 04 de novembro:

1
Santos Vital e Agrícola Mártires. Em Bolonha, na atual Emília-Romanha, região da Itália.
† 304
2
Santos Nicandro e Hermes Mártires. Em Mira, na Lícia, na hodierna Turquia. Nicandro, bispo, e Hermes, presbítero.
† c. s. IV
3
São Piério Presbítero. Comemoração de São Piério, presbítero de Alexandria.
† s. IV
4
Santo Amâncio Bispo. Em Rodez, na Aquitânia, atualmente em França. É considerado o primeiro pontífice desta cidade.
† s. V
5
São Perpétuo Bispo. Em Maastricht, no Brabante da Austrásia, atualmente na Holanda.
† c. 620
6
Santa Modesta Abadessa. Em Tréveris, na Austrásia, hoje na Alemanha.
† s. VII f.
7
Santo Henrique ou Emerico Filho de Santo Estêvão, rei dos Húngaros, que teve morte prematura. Em Alba Regia, na Panónia, hoje Szekesfehervar, na Hungria.
† 1031
8
Beata Helena Enselmíni Virgem da Ordem das Clarissas. Em Pádua, no Véneto, região da Itália.
† 1231
9
São Félix de Valois Em Cerfroid, no território de Meaux, na França. Companheiro de São João da Mata na fundação da Ordem da Santíssima Trindade para a Redenção dos Cativos.
† s. XIII
10
Beata Francisca de Amboise No convento de Nossa Senhora dos Escoceses, em Nantes, na França. Fundou em Vannes o primeiro Carmelo feminino da França.
† 1485
11
Beata Teresa Manganiello Virgem da Ordem Terceira de São Francisco. Em Montefusco, na Campânia, região da Itália.
† 1876
12
Beato José Gafo Muñiz Presbítero da Ordem dos Pregadores e mártir. Em Madrid, na Espanha.
† 1936

Martirológio — Secretariado Nacional de Liturgia · PT

Conde e sobrinho do Papa

Filho do Conde Gilberto Borromeu e de Margarete de Médici, irmã do Papa Pio IV, recebeu ótima formação humana e cristã, estudou na Universidade de Pavia e destacou-se pela facilidade de administrar e tratar as pessoas. Chamado a Roma pelo Papa, seu tio, antes de receber os Sacramentos da Ordem, aceitou a nomeação e responsabilidades de Cardeal e Arcebispo de Milão.

Jovem, já ostentava muitos títulos

Com vinte e dois anos já possuía títulos prestigiosos: Cardeal, Secretário de Estado da Santa Sé, Administrador do Arcebispado de Milão, protetor de Portugal e da Baixa Alemanha, legado papal em Bolonha. Além desses, era Protetor dos Carmelitas, dos Cônegos de Coimbra, dos Franciscanos, da Ordem de Cristo, Grande Penitenciário da Igreja.

Foi um verdadeiro pastor

Foi nesta Sede um verdadeiro pastor fiel, solícito pelas necessidades da Igreja do seu tempo: convocou sínodos e erigiu seminários para a formação do clero. Visitou muitas vezes toda a sua Diocese para fortalecer a vida cristã e estabeleceu muitas normas em ordem à salvação das almas. O Santo arcebispo fora administrar os últimos sacramentos a um Bispo da Província.

É a peste, é a peste!

Quando regressou, toda a agente se lhe reuniu ao redor, a gritar, consternada, e a chorar:  Misericórdia, Senhor, misericórdia! A peste aqui ficará por seis meses! Secundado por padres e religiosos, proveu as necessidades corporais e espirituais dos doentes, visitando-os e administrando-lhes, ele mesmo, os sacramentos.

Vendeu até sua cama para ajudar os doentes

Para alimentá-los ou vesti-los, vendia tudo aquilo que tinha, até a cama, resignando-se a dormir sobre tábuas. E jejuando e orando, sofrendo pela saúde de todos, procurou afastar a ira de Deus. Orava e jejuava, sem cessar.

Foi um dos esteios da Contra-Reforma

Juntamente com São Caetano de Thiene, São Felipe Neri, São Tomás de Vilanova e Santo Inácio de Loyola, encarnava a legítima expressão da restauração católica no século XVI,  conhecida como Contra-Reforma. Passou à pátria celeste no dia 3 de Novembro.

São Carlos Borromeu, rogai por nós!

Oração – Conservai, ó Deus, no vosso povo o espírito que animava São Carlos Borromeu, para que a vossa Igreja, sempre fiel ao Evangelho, possa mostrar ao mundo a face de Cristo. Dai-nos sua intercessão, para que sejamos fiéis no vosso serviço e fervorosos na caridade. Amém!

Com Santo Américo, filho de Santo Estêvão, Rei dos Húngaros. Santos Vital e Agrícola, mártires, dos quais, segundo narra Santo Ambrósio, o primeiro tinha sido servo do segundo. Vital sofreu tantos tormentos que nenhuma parte do corpo ficou sem feridas; Agrícola, sem se intimidar com o suplício do servo, imitou-o no martírio sendo crucificado.

Martirológio Romano – Secretariado Nacional de Liturgia

11/04

2. Em Bolonha, Itália, os santos Vital e Agrícola, mártires, Vital, nenhuma parte do corpo ficou sem feridas; Agrícola foi crucificado. († 304) 3. Em Mira, Turquia, os santos mártires Nicandro, bispo, e Hermes, presbítero. († c. s. IV) 4. São Piério, presbítero de Alexandria, († s. IV) 5. Em Rodez, França, Santo Amâncio, bispo, primeiro desta cidade. († s. V) 6. Em Maastricht, Holanda, São Perpétuo, bispo. († c. 620) 7. Em Tréveris, Alemanha, Santa Modesta, abadessa, amiga de Santa Gertrudes de Nivelles. († s. VII f.) 8. Em Alba Regia, Hungria, Santo Henrique ou Emerico, filho de Sto. Estêvão, rei, morte prematura († 1031) 9. Em Pádua, Itália, a Beata Helena Enselmíni, virgem, sofreu inclusive a perda da fala. († 1231) 10. Em Cerfroid, França, São Félix de Valois, Príncipe, com São João da Mata na fundou da Ordem para a Redenção dos Cativos. († s. XIII) 11. Em Nantes, na França, a Beata Francisca de Amboise, duquesa de Bretanha, fundou em Vannes o primeiro Carmelo feminino da França, para onde se retirou como serva de Cristo quando ficou viúva. († 1485) 12. Em Montefusco, Itália, a Beata Teresa Manganiello, virgem († 1876) 13. Em Madrid, Beato José Gafo Muñiz, presbítero († 1936)

São Carlos Borromeu, bispo | Memória | Quarta-feira

São Carlos Borromeu, bispo - Memória | Quarta-feira

Cor Litúrgica: Branco

Primeira Leitura (Fl 2,12-18)

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses.

12 Meus queridos, como sempre fostes obedientes, não só em minha presença, mas ainda mais agora na minha ausência, trabalhai para a vossa salvação, com temor e tremor. 13 Pois é Deus que realiza em vós tanto o querer como o fazer, conforme o seu desígnio benevolente. 14 Fazei tudo sem reclamar ou murmurar, 15 para que sejais livres de repreensão e ambiguidade, filhos de Deus sem defeito, no meio desta geração depravada e pervertida, na qual brilhais como os astros no universo. 16 Conservai com firmeza a palavra da vida. Assim, no dia de Cristo, terei a glória de não ter corrido em vão, nem trabalhado inutilmente. 17 E ainda que eu seja oferecido em libação, no sacrifício que é o sagrado serviço de vossa fé, fico feliz e alegro-me com todos vós. 18 Vós também, alegrai-vos pelo mesmo motivo e congratulai-vos comigo.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Responsório Sl 26(27),1.4.13-14 (R. 1a)

– O Senhor é minha luz e salvação!

– O Senhor é minha luz e salvação!

– O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? 

– Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo. 

– Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor! 

Evangelho (Lc 14,25-33)

– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– Felizes sereis vós, se fordes ultrajados por causa de Jesus, pois repousa sobre vós o Espírito de Deus.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 25 grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26 “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28 Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29 ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30 ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ 31 Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32 Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33 Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

São Martinho de Porres, religioso – 03 de Novembro

São Martinho de Porres, religioso

Santo do Dia – 03 de Novembro

São Martinho de Porres

São Martinho de Lima,

Patrono dos Barbeiros · † 1639

Origens

São Martinho de Porres - Patrono dos Barbeiros

São Martinho nasceu em Lima, no dia 9 de dezembro de 1579, filho de um nobre cavaleiro espanhol, João Porres, e de uma negra do Panamá, de origem africana, Ana Velásquez. Por causa da pele escura, o pai não o quis reconhecer, e, no livro de batizado, foi registrado como filho de pai ignorado. O valor representativo de São Martinho na história da santidade deriva do fato de ser ele uma dessas “misturas” da América, como um cronista do século XVI definia ironicamente os mulatos.

Vida Simples

São Martinho viveu pobremente até os oito anos de idade e na companhia da mãe e de uma irmãzinha, nascida dois anos depois dele. Educado por sua mãe, no santo temor de Deus, começou ainda criança a trabalhar como aprendiz de barbeiro. Era uma profissão manual e também desprezada pelos que tinham aspirações à nobreza, porém, naquela época, essa profissão não era como de hoje em dia, pois, naquele tempo, o barbeiro era também dentista e cirurgião.

São Martinho: pela Caridade alcançou a Santidade

Caridade

Martinho, alma extremamente sensível e de profundidade mística, fez de sua profissão um exercício de caridade para com os pobres, principalmente depois que se tornou ajudante de um médico.

O Convento

Com a idade de 15 anos, abandonou tudo e foi bater na porta do convento dos dominicanos em Lima. Aqui o espera uma nova humilhação. Foi admitido apenas como terciário e incumbido dos trabalhos mais humildes da comunidade. As suas funções eram as mais humildes, mas a sua vida espiritual, a mais profunda. Por fim, os superiores perceberam o que representava aquela alma para a Ordem e, acolhendo-o como membro efetivo no dia 2 de junho de 1603, admitiram-no então a profissão solene.

Solicitude pelos Irmãos

A sua solicitude pelos irmãos doentes era viva. Encontravam-no junto deles para os aliviar, mesmo, segundo se diz, que a porta estivesse fechada à chave. Considerava-se escravo de todos e de cada um, e se a doença de algum irmão que ele cuidava piorava, o zelo crescia.

Feitos Extraordinários

Quis assim permanecer a escória do convento, mas a sua santidade começou a refulgir para além dos limites do convento, pelos extraordinários carismas com as quais era dotado, como profecias, os êxtases, as bilocações. Embora nunca tenha se distanciado de Lima, foi visto na África, na China e no Japão para confortar missionários em dificuldade. A este humilde irmão leigo recorriam para conselho; teólogos, bispos e autoridades civis, mais de uma vez o próprio vice-rei teve de aguardar diante da sua cela, porque frei Martinho estava em êxtase.

De Escória do Convento à Santidade

A Fundação do Hospital

Durante uma peste epidêmica, curou os que recorreram a ele, e os seus sessenta confrades curou-os prodigiosamente. Dedicava sua vida literalmente aos pobres: mendigo por amor aos mendigos. Com as esmolas que conseguia, fundou um hospital para os meninos abandonados e jejuava para dar de comer aos pobres. Jejuava todo o ano, quase não comendo senão restos de pão, mas discretamente, a tal ponto que ninguém reparava. Tudo isso era regado pelas orações que fazia durante a noite, assim como Jesus orava (Lucas 6,12).

Assim, sem fazer coisas extraordinárias além da prática de caridade, Martinho chegou a um alto grau de santidade.

A morte

Faleceu, santamente, em Lima no dia 3 de novembro de 1639, com sessenta anos de idade e imediatamente foi honrado e venerado como santo. Foi beatificado, em 1837, pelo Papa Gregório XVI; foi canonizado, no dia 6 de maio de 1962, por São João XXIII; e no ano de 1966, o Papa São Paulo VI o proclamou patrono dos barbeiros.

São Martinho de Lima, rogai por nós!

Martinho — Tem origem no latim Martinus, derivado de Martis, genitivo de Marte, o deus romano da guerra. Significa “consagrado a Marte”, “dedicado a Marte” ou “guerreiro”.

“Oração – Oh, Deus, que exaltou o humilde, que fizestes São Martinho, teu confessor, entrar no Reino celestial, concedei através do seu mérito e intercessão de modo que possamos seguir o exemplo da sua humildade e caridade na terra e um dia estarmos com ele no Céu, através de Cristo, Nosso Senhor.”

São Martinho de Lima, rogai por nós!

São Carlos Borromeu — Bispo de Milão, que partiu para o Céu em 3 de novembro de 1584 e cuja memória se celebra amanhã.

Outros santos e beatos celebrados em 03 de novembro:

1
Santos Germano, Teófilo e Cirilo Mártires. Em Cesareia, na Capadócia, hoje Turquia.
† data inc.
2
São Libertino Bispo e mártir. Em Agrigento, na Sicília, região da Itália.
† s. III/IV
3
São Pápulo Venerado como mártir. No território de Lauraguais, na atual França.
† s. III/IV
4
Santos Valentim e Hilário Valentim, presbítero, e Hilário, diácono, mártires. Em Viterbo, hoje no Lácio, região da Itália.
† data inc.
5
São Guenael Venerado como abade de Landévenec. Na Bretanha Menor, na atual França.
† s. VI
6
Santa Sílvia Em Roma, a comemoração de Santa Sílvia, mãe do papa São Gregório Magno.
† s. VII
7
São Pirmino Bispo e abade de Reichenau. Sepultamento no mosteiro de Hornbach, no território da atual França.
† c. 755
8
São Joanício Monge. No cenóbio de Antídio, na Bitínia, hoje na Turquia.
† 846
9
Santa Odrada Virgem. Sepultamento em Alem, cidade da Flandres, na atual Holanda.
† c. s. XI
10
Santo Ermengol ou Ermengáudio Bispo. Em Urgel, na Catalunha, região da Espanha.
† 1035
11
São Berardo Bispo. No território dos Marsos, nos Abruzos, região da Itália.
† 1130
12
Beata Alpaídes Virgem. Em Cudot, no território de Sens, na França.
† 1211
13
Santa Ida Reclusa. Junto do mosteiro de Fischingen, na atual Suíça.
† c. 1226
14
Beato Simão Balácchi Religioso da Ordem dos Pregadores. Em Rímini, no litoral da Flamínia, hoje na Emília-Romanha, região da Itália.
† 1319
15
São Carlos Borromeu Bispo. Em Milão, na Lombardia, região da Itália, o dia natal, cuja memória se celebra amanhã.
† 1584
16
São Pedro Francisco Néron Presbítero da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris e mártir. Junto à fortaleza Xa Doai, no Tonquim, atualmente no Vietnã.
† 1860
17
Beatos Cândido Alberto, Cirilo Pedro, Crisóstomo e Leónides Francisco Religiosos da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs e mártires. Em Valldibrera, perto de Barcelona, na Espanha.
† 1936

Fonte: Livro Santos de cada dia – Editora A.O.Braga · Livro Um santo para cada dia – Mario Sgarbossa – Luigi Giovanni · Livro O Santo do dia – Dom Servilio Conti, I.M.C

31ª Semana do Tempo Comum | Terça-feira

31ª Semana do Tempo Comum | Terça-feira

Cor Litúrgica: Verde

Primeira Leitura (Fl 2,5-11)

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses.

Irmãos, 5 tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus. 6 Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7 mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8 humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9 Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10 Assim, ao nome de Jesus, todo o joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11 e toda língua proclame : “Jesus Cristo é o Senhor” – para a glória de Deus Pai.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Responsório Sl 21(22),26b-27.28-30a.31-32 (R. 26a)

– Ó Senhor, sois meu louvor em meio à grande assembleia!

– Ó Senhor, sois meu louvor em meio à grande assembleia!

– Cumpro meus votos ante aqueles que vos temem! Vossos pobres vão comer e saciar-se, e os que procuram o Senhor o louvarão: “Seus corações tenham a vida para sempre!” 

– Lembrem-se disso os confins de toda a terra, para que voltem ao Senhor e se convertam, e se prostrem, adorando, diante dele todos os povos e as famílias das nações. Pois ao Senhor é que pertence a realeza; ele domina sobre todas as nações. Somente a ele adorarão os poderosos. 

– Toda a minha descendência há de servi-lo; às futuras gerações anunciará, o poder e a justiça do Senhor; ao povo novo que há de vir, ela dirá: “Eis a obra que o Senhor realizou!” 

Evangelho (Lc 14,15-24)

– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o senhor.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 15 um homem que estava à mesa, disse a Jesus: “Feliz aquele que come o pão no Reino de Deus!” 16 Jesus respondeu: “Um homem deu um grande banquete e convidou muitas pessoas. 17 Na hora do banquete, mandou seu empregado dizer aos convidados: ‘Vinde, pois tudo está pronto’. 18 Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: ‘Comprei um campo, e preciso ir vê-lo. Peço-te que aceites minhas desculpas’. 19 Um outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las. Peço-te que aceites minhas desculpas’. 20 Um terceiro disse: ‘Acabo de me casar e, por isso, não posso ir’. 21 O empregado voltou e contou tudo ao patrão. Então o dono da casa ficou muito zangado e disse ao empregado: ‘Sai depressa pelas praças e ruas da cidade. Traze para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos’. 22 O empregado disse: ‘Senhor, o que tu mandaste fazer foi feito, e ainda há lugar’. 23 O patrão disse ao empregado: ‘Sai pelas estradas e atalhos, e obriga as pessoas a virem aqui, para que minha casa fique cheia’. 24 Pois eu vos digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete'”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Primeira Leitura (Rm 11,29-36)

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 29 os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. 30 Outrora, vós fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia, em consequência da desobediência deles. 31 Assim são eles agora os desobedientes, para que, em consequência da misericórdia usada convosco, alcancem finalmente misericórdia. 32 Com efeito, Deus encerrou todos os homens na desobediência, a fim de exercer misericórdia para com todos. 33 Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são inescrutáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos! 34 De fato, quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? 35 Ou quem se antecipou em dar-lhe alguma coisa, de maneira a ter direito a uma retribuição? 36 Na verdade, tudo é dele, por ele, e para ele. A ele, a glória para sempre. Amém!

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Responsório Sl 68(69),30-31.33-34.36-37 (R. 14c)

– Respondei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor!

– Respondei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor!

– Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus! Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria!.

– Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos. 

– Sim, Deus virá e salvará Jerusalém, reconstruindo as cidades de Judá, onde os pobres morarão, sendo seus donos. A descendência de seus servos há de herdá-las, e os que amam o santo nome do Senhor  dentro delas fixarão sua morada!.

Evangelho (Lc 14,12-14)

– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– Se guardais minha palavra, diz Jesus, realmente vós sereis os meus discípulos.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 12 dizia Jesus ao chefe dos fariseus que o tinha convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. 13 Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. 14 Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos | Segunda-feira

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos | Segunda-feira

Cor Litúrgica: Roxo

Primeira Leitura (Jó 19,1.23-27a)

Leitura do Livro de Jó.

1 Jó tomou a palavra e disse: 23 “Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24 com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25 Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26 e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27a Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Responsório Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

– O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.

– O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.

– O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar.

– Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome.

– Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

– Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.

– Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

Segunda Leitura (1Cor 15,20-24a.25-28)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.

Irmãos: 20 Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. 21 Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. 22 Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23 Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24a A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai. 25 Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído é a morte. 27 Com efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”. Mas, quando ele disser: “Tudo está submetido”, é claro que estará excluído dessa submissão aquele que submeteu tudo a Cristo. 28 E, quando todas as coisas estiverem submetidas a ele, então o próprio Filho se submeterá àquele que lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Evangelho (Lc 12,35-40)

– – Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– É esta a vontade de quem me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas que eu os ressuscite no último dia.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 35 Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. 36 Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. 37 Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. 38 E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar! 39 Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. bVós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Primeira Leitura (Jó 19,1.23-27a)

Leitura do Livro de Jó.

Jó tomou a palavra e disse: “Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

– O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.

– O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.

– O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar.

– Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. 

– Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!.

– Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.

– Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos. 

 

Evangelho (Lc 12,35-40)

– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– É esta a vontade de quem me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas que eu os ressuscite no último dia.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar! Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Comemoração de todos os Fiéis Defuntos – 02 de Novembro

Comemoração de todos os Fiéis Falecidos

Santo do Dia – 02 de Novembro

Dia de Finados

Dia de Finados,

Na Comemoração dos Fiéis Falecidos · c. ano 1000

Origens

Dia de Finados

Em vez de propor-nos, hoje, a veneração de um santo, a Igreja nos convida a comemorar, pelo nosso sufrágio, as almas dos fiéis já falecidos. A comemoração de todos os fiéis defuntos foi instituída neste dia a fim de socorrer, por boas obras gerais, os que não se beneficiam de preces especificamente dedicadas a eles. Deve-se a uma iniciativa tomada pelos monges beneditinos por volta do ano 1000.

A data

O abade São Odilo, superior do mosteiro de Cluny, na França, deu ordem para que em todos os conventos filiados a esta Ordem se celebrasse um ofício pelos defuntos na tarde do dia 1º de novembro. Essa comemoração foi adotada pela autoridade da Igreja, de tal modo que, aos poucos, se tornou universal a dedicação de dois de novembro à memória dos irmãos já falecidos.

Exortação de Paulo

Essa exortação de Paulo é dirigida também a cada um de nós:

“Irmãos, nos diz São Paulo apóstolo, não queremos que ignoreis o que se refere aos mortos, para não ficardes tristes como os outros que não tem esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morrerem.” (1Ts 4,13-14).

Dia dos Fiéis Defuntos: um dia para recordação, não tristeza

Dia de saudosa reflexão

O Dia dos Finados não é dia de tristeza nem lamúrias, como o é para aqueles que não tem fé, mas é dia de saudosa recordação, confortada pela fé, que nos garante que nosso relacionamento com as almas dos finados não está interrompido pela morte, mas é sempre vivo e atuante pela oração de sufrágio. A doutrina relativa aos finados põe em admirável luz a harmonia entre a justiça e a bondade de Deus Pai, de tal modo que também os corações mais frios não resistem hoje a um saudoso pensamento de piedade religiosa em favor dos irmãos falecidos.

Purgatório: o lugar de purificação

A fé nos ensina que existe um lugar de purificação pelas almas depois da morte, pois toda criatura que morre carrega faltas, misérias, dívidas espirituais por pecados cometidos, mesmo morrendo reconciliada com Deus. Essas faltas o impedem de entrar diretamente no Reino de Deus, que é o reino da santidade perfeita, da luz e felicidade. Deus, em Sua bondade, providenciou um lugar de purificação que a tradição da Igreja chamou de purgatório. O Catecismo da Igreja Católica afirma:

“O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, portanto, torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama «pena eterna» do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama Purgatório. Esta purificação liberta do que se chama «pena temporal» do pecado. Estas duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado. Uma conversão procedente duma caridade fervorosa pode chegar à total purificação do pecador, de modo que nenhuma pena subsista (82).” (CIC 1472)

Temos condições de oferecer preces, sacrifícios em sufrágios das almas do purgatório

A solidariedade espiritual

Pela solidariedade espiritual que existe entre os batizados por força de nossa inserção no Corpo Místico de Cristo, temos condições de oferecer preces, sacrifícios em sufrágios das almas do purgatório que ficam assim beneficiadas em suas penas. Esta doutrina já era conhecida no Antigo Testamento. De fato, lemos, no Segundo livro dos Macabeus que, depois de uma batalha do povo judeu contra os inimigos, Judas Macabeu mandou recolher ofertas a serem enviados ao Templo de Jerusalém solicitando orações e sacrifícios em sufrágio dos soldados tombados na guerra, pois ele concluiu: “É um pensamento santo e salutar orar pelos mortos para que sejam livres dos seus pecados” (2Mc 12,45). Também Jesus Cristo fez alusão aos pecados que não são perdoados nem nesta terra nem na outra vida.

Orações de sufrágio

Orações de sufrágio em favor das almas dos mortos sempre foram praticadas nas Igrejas desde os primeiros séculos. Nas catacumbas romanas onde se sepultavam os cristãos há inúmeras inscrições alusivas a preces que os defuntos solicitam dos irmãos na fé. Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, ao falecer perto de Roma, enquanto viajava para África, assim falava aos dois filhos que a acompanhavam: “Ponde meu corpo em qualquer lugar, e não vos preocupeis com ele. Só vos peço que, no altar de Deus, vos lembreis de mim, onde quer que estiveres”.

As almas dos nossos falecidos parecem dizer com o patriarca Jó: “Compadecei-vos de mim, ao menos vós que sois meus amigos, porque a mão do meu Senhor me tocou”.

“Santo e salutar é o pensamento de orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados.”

A indulgência e a oração pelos falecidos

Indulgência:

No dia de Finados, “aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Enchr. Indulgentiarum, n.13)”.

“Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semipúblicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai-Nosso e Creio, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai-Nosso e Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).” (pg. 462 do Diretório Litúrgico da CNBB).

Oração pelos falecidos:

Pai santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, nós Vos pedimos por (nome do falecido), que chamastes deste mundo. Dai-lhe a felicidade, a luz e a paz. Que ele, tendo passado pela morte, participe do convívio de Vossos santos na luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Que sua alma nada sofra, e Vos digneis ressuscitá-lo com os Vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa. Perdoai-lhe os pecados para que alcance junto a Vós a vida imortal no reino eterno. Por Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! (Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria.)

Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele a Vossa luz! Amém.

Finados — Do verbo finar, “chegar ao fim”, “morrer”, derivado do latim finire, de finis, “fim”. Dia dos Fiéis Defuntos, em que a Igreja reza pelos que já partiram.

“Minha oração – Senhor, nosso Deus, resgatai as almas dos nossos conhecidos e familiares do purgatório, além daquelas que necessitam das nossas orações. Pedimos também a intercessão para que sejamos santos e purificados nessa vida, a fim de chegar diretamente ao Céu. Amém.”

Almas do purgatório, rogai por nós!

São Odilo — Abade de Cluny, na França, que ordenou a todos os conventos da Ordem um ofício pelos defuntos, origem da comemoração universal de 2 de novembro.

Outros santos e beatos celebrados em 2 de novembro:

1
São Vitorino Comemoração. Bispo de Poetóvio, na Panónia.
† c. 303
2
São Justo Mártir. Em Trieste, na Ístria, atualmente na Itália.
† c. s. IV
3
Santos Cartério, Estiríaco, Tobias, Eudóxio, Agápio e companheiros Mártires. Em Sebaste, na Arménia, hoje Sivas, na Turquia.
† c. 320
4
Santos Acindino, Pegásio, Aftónio, Elpidíforo, Anempodisto e numerosos companheiros Mártires. Na antiga Pérsia.
† s. IV
5
São Donino Bispo. Em Vienne, cidade da Gália Lionense, hoje na França. Dedicou-se à obra da redenção dos cativos.
† c. 538
6
São Marciano Comemoração. Eremita nascido em Ciro, que se retirou para o deserto na Calcedónia.
† s. IV f.
7
Santo Ambrósio Abade. No mosteiro de Agaune, entre os Helvécios, hoje Saint-Maurice-en-Valais, na Suíça.
† c. 520
8
Santa Vinfreda Virgem. Junto a uma fonte situada em Holywell, localidade do País de Gales, venerada como monja insigne.
† c. s. VII
9
São Jorge Bispo. Em Vienne, cidade da Borgonha, na moderna França.
† c. 670
10
São Malaquias Bispo de Down e Connor. Sepultamento no mosteiro de Claraval, também na Borgonha.
† 1148
11
Beata Margarida de Lorena Em Mortagne, cidade da Normandia, na França. Ao ficar viúva, abraçou a vida religiosa no mosteiro das Clarissas.
† 1521
12
Beato João Bodey Mártir. Em Andover, no condado de Hampshire, na Inglaterra.
† 1583
13
Beato Pio de São Luís Religioso da Congregação da Paixão. Em Casale, na Flamínia, hoje na Emília-Romanha, região da Itália.
† 1889

Fonte: Catecismo da Igreja Católica · O Santo do dia – Dom Servilio Conti, I.M.C. · Vatican.va

Todos os Santos, Solenidade | Domingo

Todos os Santos, Solenidade | Domingo

Cor Litúrgica: Branca

Primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14)

Leitura do Livro do Apocalipse de São João.

Eu, João, 2 vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: 3 “Não façais mal à terra, nem ao mar nem às arvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”. 4 Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9 Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 10 Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”. 11 Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos e dos quatro Seres vivos e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: 12 “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém” 13 E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?” 14 Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Responsório Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

– É assim a geração dos que procuram o Senhor!

– É assim a geração dos que procuram o Senhor!

– Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.

– “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime.

– Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador”. “É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face”.

Segunda Leitura (1Jo 3,1-3)

Leitura da Primeira Carta de São João.

Caríssimos, 1 vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2 Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3 Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.

Evangelho (Mt 5,1-12a)

– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– Vinde a mim, todos vós que estais cansados e penais a carregar pesado fardo, e descanso eu vos darei, diz o Senhor.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12 Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14)

Leitura do Livro do Apocalipse de São João.

Eu, João, 2 vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: 3 “Não façais mal à terra, nem ao mar nem às arvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”. 4 Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9 Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 10 Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”. 11 Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos e dos quatro Seres vivos e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: 12 “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém” 13 E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?” 14 Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Responsório Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

– É assim a geração dos que procuram o Senhor!

– É assim a geração dos que procuram o Senhor!

– Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável. 

– “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” , “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime. 

– Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador”. “É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face”. 

Evangelho (Mt 5,1-12a (Bem-aventuranças)

– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– Vinde a mim, todos vós que estais cansados e penais a carregar pesado fardo, e descanso eu vos darei, diz o Senhor.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

-Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12 Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Todos os Santos – 01 de Novembro

Dia de todos os Santos

Santo do Dia – 01 de Novembro

Dia de Todos os Santos

Todos os Santos de Deus,

Solenidade · A Páscoa de Outono

Origens

Dia de Todos os Santos

A Solenidade de Todos os Santos de Deus é chamada por alguns de “Páscoa de outono”, é celebrada pela Igreja, que, mais uma vez, não olha para si mesma, mas olha para o céu e lhe aspira. De fato, a santidade é um caminho para o qual todos somos chamados a trilhar sob o exemplo desses nossos “irmãos mais velhos”, que nos são propostos como modelos, porque aceitaram ser encontrados por Jesus, rumo ao qual se encaminharam com confiança, com seus desejos, fraquezas e sofrimentos. “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: ‘Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito’ ” (Mt 5,48) (CIC 2013).

Raízes Antigas

A solenidade tem raízes antigas: no século IV começou a celebração dos mártires, comuns para as diferentes Igrejas. Os primeiros sinais desta celebração foram encontrados em Antioquia, no domingo após o dia de Pentecostes, sobre a qual já falava São João Crisóstomo.

Difusão da Festa

Entre os séculos VIII e IX, esta festa começou a difundir-se também na Europa, e, em Roma, de modo particular, no século IX. Ali, o Papa Gregório III (731-741) quis que esta festa fosse comemorada no dia 1º de novembro. A data foi escolhida porque coincidia com a consagração de uma Capela, na Basílica de São Pedro, dedicada às relíquias “dos santos Apóstolos, dos Santos mártires e confessores e de todos os Justos, que chegaram à perfeição e descansam em paz no mundo inteiro”. Na época de Carlos Magno, esta festa já era muito conhecida como ocasião para a Igreja, que vagueia e sofre na Terra, mas que olha para o céu, onde estão seus irmãos mais gloriosos.

É a festa da esperança, que nos recorda o objetivo da nossa vida.

Memória Litúrgica

A memória litúrgica dedica um dia especial a todos aqueles que se uniram com Cristo em sua glória. Eles não nos são indicados apenas como arquétipos, mas invocados também como protetores das nossas ações. Todos os Santos são os filhos de Deus que atingiram a meta da salvação. Eles vivem, na eternidade, aquela condição de bem-aventurança expressa por Jesus no discurso da Montanha, narrado no Evangelho de Mateus (5,1-12).

Companheiros na Imitação de Cristo

Os Santos são aqueles que nos acompanham no nosso percurso de imitação de Jesus. Eles nos levam a ser pedra angular na construção do Reino de Deus. Neste dia, a Mãe Igreja faz este apelo a todos nós, seus filhos: “O apelo à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade se dirige a todos os fiéis cristãos.” “A perfeição cristã só tem um limite: ser ilimitada” (CIC 2028).

Um Interesse Humano

Sendo assim, nós passamos a compreender o início do sermão do Abade São Bernardo: “Para que louvar os santos, para que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as honras terrenas? A eles que, segundo a promessa do Filho, o Pai celeste glorifica? Os santos não precisam de nossas homenagens. Não há dúvida alguma, se veneramos os santos, o interesse é nosso, não deles”.

Convite para Olhar para o Alto

A Igreja nos convida a contemplarmos os nossos “heróis” da fé, esperança e caridade. É um convite a olharmos para o Alto, pois, neste mundo escurecido pelo pecado, eles brilham no Céu com a luz do triunfo e esperança daqueles que viveram e morreram em Cristo, por Cristo e com Cristo, formando uma “constelação”, como São João havia dito: “Era uma imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7,9).

Somos chamados a imitar o exemplo de Santidade.

Sinal do Espírito Santo

Todos esses combatentes de Deus merecem nossa imitação, pois foram adolescentes, jovens, homens casados, mães de família, operários, empregados, patrões, sacerdotes, pobres mendigos, profissionais, militares ou religiosos que se tornaram um sinal do que o Espírito Santo pode fazer num ser humano que se decide a viver o Evangelho atuando na Igreja e na sociedade.

Modelos para os Fiéis

Portanto, a vida desses modelos acabaram virando proposta para nós, uma vez que passaram fome, apelos carnais, perseguições, alegrias, situações de pecado, profundos arrependimentos, sede, doenças, sofrimentos por calúnia, ódio, falta de amor e injustiças. Esses constituem o cotidiano dos seguidores de Cristo que enfrentam os embates da vida sem perder o entusiasmo pela Pátria definitiva, pois “não sois mais estrangeiros, nem migrantes; sois concidadãos dos santos, sois da Família de Deus” (Ef. 2,19).

Todos os Santos de Deus, rogai por nós!

“Oração – Jesus, que o mundo salvastes, dos que remistes cuidais, E vós, Mãe santa de Deus, por nós a Deus suplicai. Os coros todos dos Anjos, patriarcal legião, profetas de tantos méritos, pedi por nós o perdão. Ó precursor do Messias, ó Ostiário dos céus, com os Apóstolos todos, quebrai os laços dos réus. Santa Assembleia dos Mártires; vós, Confessores, Pastores, Virgens prudentes e castas, rogai por nós pecadores. Que os monges peçam por nós e todos que o céu habitam: a vida eterna consigam os que na terra militam. Honra e louvor tributemos ao Pai e ao Filho também, com seu Amor um só Deus, por todo o sempre. Amém.”

“Minha oração – Na solenidade de todos os santos, recordamos que é possível ser santo, recordamos que é possível contar com suas orações e intercessão, por isso pedimos as graças de que precisamos no tempo presente e a conversão dos pecadores da nossa família e amigos. Amém.”

Todos os Santos de Deus, rogai por nós!

Outros santos e beatos que a Igreja faz memória em 1º de novembro:

1
São Cesário Mártir. Em Terracina, litoral do Lácio, na atual Itália.
† data inc.
2
São Benigno Presbítero e mártir. Em Dijon, na Gália Lionense, França.
† data inc.
3
Santo Austremónio Bispo. Em Arvena, na Aquitânia, hoje Clermont-Ferrand, na França.
† s. III
4
São Marcelo Bispo. Em Paris, na Gália Lionense, França.
† s. IV f.
5
São Rómulo Presbítero e abade. No território de Bourges, na Aquitânia, França.
† s. V
6
São Severino Monge. Em Tívoli, no Lácio, na atual Itália.
† c. s. VI
7
São Magno Bispo. Em Milão, na Lombardia, na Itália.
† s. VI
8
São Vigor Bispo. Em Bayeux, na Gália Lionense, hoje na França. Foi discípulo de São Vedasto.
† a. 538
9
São Licínio Bispo. Em Angers, na Nêustria, na França.
† c. 606
10
São Maturino Presbítero. Em Larchant, cidade do Gatinais da Aquitânia, na França.
† c. s. VII
11
Santo Audemaro Bispo dos Morinos. No território de Thérouanne, em Flandres, França.
† c. 670
12
Beato Rainério de Arezzo Religioso da Ordem dos Menores. Em Sansepolcro, na Úmbria, hoje na Toscana, região da Itália.
† 1304
13
São Nuno de Santa Maria Religioso da Ordem dos Carmelitas. Em Lisboa, Portugal.
† 1431
14
Beatos Pedro Paulo Navarro, Dionísio Fujishima, Pedro Onizuka Sandayu e Clemente Kyuemon Mártires. Em Shimabara, no Japão. Pedro Paulo Navarro, presbítero, Dionísio Fujishima e Pedro Onizuka Sandayu, religiosos da Companhia de Jesus.
† 1622
15
Jerónimo Hermosilla, Valentim Bérrio Ochoa e Pedro Almató Ribeira Bispos e presbítero da Ordem dos Pregadores. Em Hai Duong, cidade do Tonquim, hoje Vietnam.
† 1861
16
Beato Ruperto Mayer Presbítero da Companhia de Jesus. Em Munique, na Alemanha.
† 1945
17
Beato Teodoro Jorge Romzsa Bispo e mártir. Em Mukacevo, cidade da Ucrânia.
† 1947

Fontes: Catecismo da Igreja Católica · Martirológio Romano · Vaticannews.va

Santo Afonso Rodriguez, Presbítero, Porteiro – 31 de Outubro

Santo Afonso Rodrigues

Santo do Dia – 31 de Outubro

Santo Afonso Rodrigues

Santo Afonso Rodrigues,

Padroeiro de Palma de Maiorca · † 1617

Origens

Santo Afonso Rodrigues: Homem Simples

Natural de Segóvia, na Espanha, veio à luz aos 25 de julho de 1532. Pertencente a uma família cristã, teve de interromper seus estudos no primário, pois, com a morte do pai, assumiu os compromissos com o comércio. Casou-se com Maria Soares, que amou tanto quanto os dois filhos, mas infelizmente, todos, com o tempo, faleceram.

A crise espiritual

Ao entrar em crise espiritual, Afonso entrega-se à oração, à penitência e, dirigido por um sacerdote, descobriu o seu chamado a ser Irmão religioso; e, assim, assumiu grandes dificuldades como a limitação dos estudos.

Entrou para a Companhia de Jesus

No ano de 1571, aos 38 anos, iniciou seu noviciado. Vencendo tudo em Deus, Afonso foi recebido na Companhia de Jesus como Irmão. Sua vida foi uma esplêndida realização da vocação. Depois do noviciado, foi enviado para o Colégio de formação Monte de Sião em Palma de Maiorca. No colégio, desempenhou os ofícios de porteiro; e a todos prestava vários serviços e, dentre as virtudes heroicas que conquistou na graça e querendo ser firme na fé, a obediência foi a sua prova de verdadeira humildade.

Vontade de Deus

Santo Afonso Rodrigues sabia ser simples, pois aceitava, com amor, toda ordem e desejo dos superiores, como expressão da vontade de Deus. Tinha como regra “Agradar somente a Deus, cumprir sempre e em toda parte a Vontade Divina”. Esse santo encantador, com sua espiritualidade, ajudou a muitos, principalmente São Pedro Claver, um de seus filhos espirituais mais notáveis, quanto ao futuro apostolado na Colômbia.

Alma que suplicava a Deus

Sua alma era sedenta de Deus: “A oração que tem é uma súplica a Deus e a Nossa Senhora de quatro amores: o amor de Deus; o amor de Jesus Cristo; o amor a Santíssima Virgem e o amor de uns para com os outros”. Em sua íntima relação com Deus, Maria sempre esteve presente.

A morte

Passou o resto da sua vida como porteiro em um convento da Ilha de Maiorca, onde foi exemplo de humildade, obediência, constância e santidade. Místico de muitos carismas, Santo Afonso Rodrigues sofreu muito antes de morrer em 31 de outubro de 1617. Foi canonizado em 15 de janeiro de 1888, por Leão XIII. Ele é o santo padroeiro dos goleiros e lanterninhas, e padroeiro de Palma de Maiorca.

Santo Afonso Rodrigues, rogai por nós!

Afonso — Nome de origem germânica, que significa “nobre e pronto para o combate”.

“Oração – Santo Afonso, que, por sua obediência, conquistastes o Céu, dai-nos a graça de imitar essa virtude assim como o teu modelo de humildade. Ensina-nos a reconhecer Jesus nos trabalhos mais simples e desprezados. Amém!”

Santo Afonso Rodrigues, rogai por nós!

São Volfgango — Bispo de Ratisbona, na Baviera, atualmente na Alemanha.

Outros santos e beatos que a Igreja faz memória em 31 de outubro:

1
Santo Epimáquio de Pelúsio Mártir. Em Alexandria, no Egipto.
† c. 250
2
São Quintino Mártir. Em Vermand, hoje Saint-Quentin, na Gália, Bélgica, atualmente na França.
† s. III
3
São Felano Presbítero e abade. Em Fosses, no Brabante da Austrásia, no território da atual Bélgica.
† c. 655
4
Santo Antonino Bispo. Em Milão, na Lombardia, região da Itália.
† c. 661
5
São Volfgango Bispo. Em Ratisbona, na Baviera, atualmente na Alemanha.
† 994
6
Beato Cristóvão de Romanha Presbítero da Ordem dos Menores. Em Cahors, na Aquitânia, região da França.
† 1272
7
Beato Tomás de Florença Belláci Religioso da Ordem dos Menores. Em Riéti, na Sabina, território da Itália.
† 1447
8
Beato Domingos Collins Religioso da Companhia de Jesus. Em Youghal, perto de Cork, na Irlanda.
† 1602
9
Beato Leão Nowakowski Presbítero e mártir. Em Piotrkow Kujawski, localidade da Polónia.
† 1939
10
Santa Maria da Imaculada Conceição Virgem, fundadora do Instituto das Irmãs da Companhia da Cruz. Em Sevilha, na Espanha.
† 1998

Fontes: Livro “Santos de cada dia” – José Leite, SJ [Editorial A.O. Braga, 2003] · Martirológio Romano · Vaticannews.va · Santiebeati.it

Convidados para o Céu

Intenções para a Missa
no Dia de Finados!

Use este espaço para ler e meditar sobre o Dia de Todos os Santos, que antecede o Dia de Finados.
 
Se desejar que rezemos por suas intenções na Missa no Dia de Finados, por favor, preencha o formulário ao lado.
Dia de Todos os Santos

Exemplos que estimulam e nos dão ânimo

Juízo Final, pintado pelo Beato Angelico
Juízo Final, pintado pelo Beato Angelico

Durante as décadas de 60 e 70 Dr. Plinio fazia conferências diárias, em geral comentando a vida do santo cuja festa a Igreja celebrava naquela data.

Donde essas reuniões serem chamadas de “Santo do Dia”, nas quais a edificante virtude dos heróis da Fé eram propostas como modelo a quantos acompanhavam ditas exposições.

Certa vez, atendendo ao interesse de seu auditório, Dr. Plinio salientou o melhor modo de seguirmos o exemplo dos grandes santos.

O culto de todos os Santos envolve o culto a todas as almas que estão no céu, ainda que sejam almas não canonizadas, porque em algum sentido da palavra, qualquer alma que esteja no céu, que se tenha salvo, é uma alma santa.

Ela está na presença de Deus, vê Deus face a face e agrada a Deus inteiramente e naturalmente o número de pessoas que estão no céu é um número incontável.

Com isto a Igreja não tem possibilidade não só de cultuar adequadamente todos os Santos que ela canonizou, mas, sobretudo, de cultuar um número enorme de almas que estão no céu e às quais não se pode prestar um culto regular, porque de fato não se sabe se elas estão salvas ou não, mas [espera-se] que gozem da presença de Deus.

Por todas estas almas nós temos razões para rezar, nós temos razões para pedir a proteção delas, mas há, naturalmente, algumas almas que têm conosco uma relação especial e que, se bem que não nos tenham conhecido nesta vida, nem nós as conheçamos, por esta relação que têm conosco, evidentemente são intercessoras junto [a Deus por] nós. Vale a pena neste dia a gente se recomendar a estas almas.

Suas vidas são convites para o Céu!

Adoração da Santíssima Trindade, pintura de Alberto Durer
Pintura de Alberto Durer, Adoração da Santíssima Trindade

Com freqüência no “Santo do Dia”, fazendo comentários a respeito deste ou daquele bem-aventurado, apresento um quadro da vida espiritual que poderia ser assim resumido: a Fé ilumina a inteligência; esta dirige a vontade a qual, por sua vez, fortalece a sensibilidade humana. Agindo dessa forma, o homem está em ordem em relação a Deus.

Os santos o conseguiram por meio de meditações, raciocínios, exercícios metódicos e cuidados persistentes, enfrentando lutas e sofrimentos extraordinários.

Dificuldade dos mais fracos

Sempre procuro elogiar enfaticamente esse modo de praticar a virtude, o que suscita em alguns de meus ouvintes a seguinte pergunta:

“Dr. Plinio, os ‘Santos do Dia’ são feitos em grande parte para as gerações mais novas, e até novíssimas, compostas de capengas. Os santos sobre os quais o senhor tece comentários são o contrário da capenguice, porque têm muita personalidade, são capazes de sofrer, de praticar atos heróicos e fazem obras que nós não conseguimos realizar. Então, que proveito podemos tirar dessas exposições?”

Virtudes a serem admiradas, mais do que imitadas

Ícone de São Simeão Estilita
Ícone de São Simeão Estilita

Respondo à compreensível indagação. Antes de tudo, cumpre considerar que, em toda a História da Igreja, Deus suscita santos com virtudes tão extraordinárias que devem ser admiradas, mais do que imitadas.

Exemplo frisante é o de São Simão Estilita, o qual, para fugir das atrações mundanas, subiu no alto de uma coluna e ali passou a vida inteira em oração e penitência.

O que sucederia se toda pessoa com dificuldades em cumprir os Mandamentos, ficasse o dia inteiro rezando sobre uma coluna? Não haveria colunas que bastassem. Além disso, o número de colunas abandonadas seria imenso…

Sem dúvida, o procedimento de São Simão Estilita é um modo admirável de praticar a virtude. Não há palavras que possam exprimir nosso respeito e enlevo por um homem que permanece durante anos no alto de uma coluna, não pensando em outra coisa senão em Nosso Senhor e nas verdades eternas.

Contudo, se o desígnio de Deus para a maior parte dos homens não é o de imitar São Simão Estilita, a admiração pelo santo deve levá-los a praticar virtudes menores, ou pelo menos de modo menos excepcionalmente heróico.

Cada um poderia dizer a si mesmo:

“Claro está, não posso chegar ao grau de virtude que São Simão Estilita atingiu, mas desejo caminhar nessa direção.”

Ora, se esse anelo nasce em nosso interior, significa que aquele santo é uma espécie de precursor de milhões de almas que, de algum modo, fazem aquilo que ele realizou. E, portanto, o extremo da admiração redunda numa como que imitação, a qual beneficia incontáveis corações.

Todos somos chamados à santidade

Em segundo lugar, precisamos compreender que, embora as virtudes heróicas de alguns santos do passado não possam ser praticadas pelos homens de hoje — e nem pertençam às vias comuns da graça —, a santidade está ao alcance de todos. Porque a perfeição moral é atingível por qualquer homem que a deseje, com o auxílio da graça.

E quando admiramos um santo, nos encantamos com a santidade, e somos convidados a seguir de alguma forma o exemplo de sua vida virtuosa.

Outro não foi o pensamento que inundou a alma de Santa Teresinha do Menino Jesus, a doutora da chamada infância espiritual. Quer dizer, ela se comportava diante de Deus com a humildade e a simplicidade de uma criança. Não almejava fazer coisas extraordinárias, mas apenas servir a Deus nas formas quotidianas e comuns da virtude. Porém, praticando-as com um amor tal que este significava verdadeiramente a santidade.

O teor de relações de Santa Teresinha com Nosso Senhor era semelhante ao da criança com seus pais, e poderia ser qualificado quase de filial e reverentemente sem cerimônia.

Ela não procurava de modo algum ser grande diante de Deus, e sim humilde e pequena, vivendo da confiança na misericórdia do Altíssimo minuto a minuto. Dessa maneira ela alcançou a santidade.

Um convite para Imitar todos os Santos: Santa Teresinha

Santa Teresinha do Menino Jesus

Pode-se dizer que Santa Teresinha levou essa confiança a extremos singulares.

Por exemplo, ela era um braseiro de amor a Deus, mas sua alma passou por longos períodos de aridez. Em certas ocasiões essas penas espirituais a afligiam até mesmo durante o cântico do Ofício.

Entretanto, nas mais diversas provações, ela se mantinha serena, e já no fim de sua vida, devorada por tentações contra a fé, ela resistia de modo admirável e completo.

Diante de tudo isso, conservava a atitude de pequenez, vazia de si mesmo, sabendo que valia muito aos olhos de Deus. Por isso costumava reafirmar que Nosso Senhor a protegia, embora ela não o sentisse.

Nesse sentido, empregava a linda metáfora da águia que fita o sol através das nuvens: não lhe era possível divisar o sol divino, mas estava com as vistas continuamente voltadas para Ele, amando-O do modo mais intenso possível.

Certa feita lhe perguntaram como ela agiria se tivesse a infelicidade de cometer um pecado grave.

Resposta: “A misericórdia de Deus é tão grande que eu retomaria, com a alma partida de dor, minha vida espiritual no ponto anterior à queda, e recomeçaria a ascensão tranqüilamente.”

Não cabe chamar Santa Teresinha de capenga, mas ela abriu a pequena via para os capengas que viriam depois dela, proporcionando-lhes uma vida espiritual modesta, humilde, mas repleta de amor, dando-lhes a oportunidade de realizar, à sua maneira, grandes coisas.

Concluímos, portanto, dizendo que convém conhecermos as altas virtudes dos santos insignes para amá-las, admirá-las e, na medida do possível, imitá-las, segundo as disposições propostas pela “pequena via”.

(Extraído de conferência em 12/1/1966)

Exemplos que estimulam e nos dão ânimo

Juízo Final, pintado pelo Beato Angelico

Suas vidas são convites para o Céu!

Durante as décadas de 60 e 70 Dr. Plinio fazia conferências diárias, em geral comentando a vida do santo cuja festa a Igreja celebrava naquela data.

Donde essas reuniões serem chamadas de “Santo do Dia”, nas quais a edificante virtude dos heróis da Fé eram propostas como modelo a quantos acompanhavam ditas exposições.

Certa vez, atendendo ao interesse de seu auditório, Dr. Plinio salientou o melhor modo de seguirmos o exemplo dos grandes santos.

            O culto de todos os Santos envolve o culto a todas as almas que estão no céu, ainda que sejam almas não canonizadas, porque em algum sentido da palavra, qualquer alma que esteja no céu, que se tenha salvo, é uma alma santa.

           Ela está na presença de Deus, vê Deus face a face e agrada a Deus inteiramente e naturalmente o número de pessoas que estão no céu é um número incontável.

           Com isto a Igreja não tem possibilidade não só de cultuar adequadamente todos os Santos que ela canonizou, mas, sobretudo, de cultuar um número enorme de almas que estão no céu e às quais não se pode prestar um culto regular, porque de fato não se sabe se elas estão salvas ou não, mas [espera-se] que gozem da presença de Deus.

           Por todas estas almas nós temos razões para rezar, nós temos razões para pedir a proteção delas, mas há, naturalmente, algumas almas que têm conosco uma relação especial e que, se bem que não nos tenham conhecido nesta vida, nem nós as conheçamos, por esta relação que têm conosco, evidentemente são intercessoras junto [a Deus por] nós. Vale a pena neste dia a gente se recomendar a estas almas.

           Com freqüência no “Santo do Dia”, fazendo comentários a respeito deste ou daquele bem-aventurado, apresento um quadro da vida espiritual que poderia ser assim resumido: a Fé ilumina a inteligência; esta dirige a vontade a qual, por sua vez, fortalece a sensibilidade humana. Agindo dessa forma, o homem está em ordem em relação a Deus.

           Os santos o conseguiram por meio de meditações, raciocínios, exercícios metódicos e cuidados persistentes, enfrentando lutas e sofrimentos extraordinários.

Pintura de Alberto Durer, Adoração da Santíssima Trindade

Dificuldade dos mais fracos

            Sempre procuro elogiar enfaticamente esse modo de praticar a virtude, o que suscita em alguns de meus ouvintes a seguinte pergunta:

           “Dr. Plinio, os ‘Santos do Dia’ são feitos em grande parte para as gerações mais novas, e até novíssimas, compostas de capengas. Os santos sobre os quais o senhor tece comentários são o contrário da capenguice, porque têm muita personalidade, são capazes de sofrer, de praticar atos heróicos e fazem obras que nós não conseguimos realizar. Então, que proveito podemos tirar dessas exposições?”

(Dr. Plinio costumava empregar a palavra “capenga” no sentido metafórico, referindo-se a deficiências espirituais análogas às dos que necessitam apoio para caminhar. Semelhante às almas que têm necessidade de um apoio especial para poderem avançar na piedade.)

Ícone de São Simeão Estilita

Virtudes a serem admiradas, mais do que imitadas

           Respondo à compreensível indagação.  Antes de tudo, cumpre considerar que, em toda a História da Igreja, Deus suscita santos com virtudes tão extraordinárias que devem ser admiradas, mais do que imitadas.

           Exemplo frisante é o de São Simão Estilita, o qual, para fugir das atrações mundanas, subiu no alto de uma coluna e ali passou a vida inteira em oração e penitência.

           O que sucederia se toda pessoa com dificuldades em cumprir os Mandamentos, ficasse o dia inteiro rezando sobre uma coluna?  Não haveria colunas que bastassem. Além disso, o número de colunas abandonadas seria imenso…

           Sem dúvida, o procedimento de São Simão Estilita é um modo admirável de praticar a virtude. Não há palavras que possam exprimir nosso respeito e enlevo por um homem que permanece durante anos no alto de uma coluna, não pensando em outra coisa senão em Nosso Senhor e nas verdades eternas.

          Contudo, se o desígnio de Deus para a maior parte dos homens não é o de imitar São Simão Estilita, a admiração pelo santo deve levá-los a praticar virtudes menores, ou pelo menos de modo menos excepcionalmente heróico.

           Cada um poderia dizer a si mesmo:

          “Claro está, não posso chegar ao grau de virtude que São Simão Estilita atingiu, mas desejo caminhar nessa direção.”

           Ora, se esse anelo nasce em nosso interior, significa que aquele santo é uma espécie de precursor de milhões de almas que, de algum modo, fazem aquilo que ele realizou. E, portanto, o extremo da admiração redunda numa como que imitação, a qual beneficia incontáveis corações.

          Em segundo lugar, precisamos compreender que, embora as virtudes heróicas de alguns santos do passado não possam ser praticadas pelos homens de hoje — e nem pertençam às vias comuns da graça —, a santidade está ao alcance de todos. Porque a perfeição moral é atingível por qualquer homem que a deseje, com o auxílio da graça.

         E quando admiramos um santo, nos encantamos com a santidade, e somos convidados a seguir de alguma forma o exemplo de sua vida virtuosa.

          Outro não foi o pensamento que inundou a alma de Santa Teresinha do Menino Jesus, a doutora da chamada infância espiritual. Quer dizer, ela se comportava diante de Deus com a humildade e a simplicidade de uma criança. Não almejava fazer coisas extraordinárias, mas apenas servir a Deus nas formas quotidianas e comuns da virtude. Porém, praticando-as com um amor tal que este significava verdadeiramente a santidade.

          O teor de relações de Santa Teresinha com Nosso Senhor era semelhante ao da criança com seus pais, e poderia ser qualificado quase de filial e reverentemente sem cerimônia.

          Ela não procurava de modo algum ser grande diante de Deus, e sim humilde e pequena, vivendo da confiança na misericórdia do Altíssimo minuto a minuto. Dessa maneira ela alcançou a santidade.

Um convite para Imitar todos os Santos: Santa Teresinha

            Pode-se dizer que Santa Teresinha levou essa confiança a extremos singulares.

           Por exemplo, ela era um braseiro de amor a Deus, mas sua alma passou por longos períodos de aridez. Em certas ocasiões essas penas espirituais a afligiam até mesmo durante o cântico do Ofício.

           Entretanto, nas mais diversas provações, ela se mantinha serena, e já no fim de sua vida, devorada por tentações contra a fé, ela resistia de modo admirável e completo.

          Diante de tudo isso, conservava a atitude de pequenez, vazia de si mesmo, sabendo que valia muito aos olhos de Deus. Por isso costumava reafirmar que Nosso Senhor a protegia, embora ela não o sentisse.

          Nesse sentido, empregava a linda metáfora da águia que fita o sol através das nuvens: não lhe era possível divisar o sol divino, mas estava com as vistas continuamente voltadas para Ele, amando-O do modo mais intenso possível.

          Certa feita lhe perguntaram como ela agiria se tivesse a infelicidade de cometer um pecado grave.

         Resposta: “A misericórdia de Deus é tão grande que eu retomaria, com a alma partida de dor, minha vida espiritual no ponto anterior à queda, e recomeçaria a ascensão tranqüilamente.”

          Não cabe chamar Santa Teresinha de capenga, mas ela abriu a pequena via para os capengas que viriam depois dela, proporcionando-lhes uma vida espiritual modesta, humilde, mas repleta de amor, dando-lhes a oportunidade de realizar, à sua maneira, grandes coisas.

         Concluímos, portanto, dizendo que convém conhecermos as altas virtudes dos santos insignes para amá-las, admirá-las e, na medida do possível, imitá-las, segundo as disposições propostas pela “pequena via”.

(Extraído de conferência em 12/1/1966)

 

Todos somos chamados à santidade