Exortação de Paulo
Essa exortação de Paulo é dirigida também a cada um de nós:
“Irmãos, nos diz São Paulo apóstolo, não queremos que ignoreis o que se refere aos mortos, para não ficardes tristes como os outros que não tem esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morrerem.” (1Ts 4,13-14).
Dia dos Fiéis Defuntos: um dia para recordação, não tristeza
Dia de saudosa reflexão
O Dia dos Finados não é dia de tristeza nem lamúrias, como o é para aqueles que não tem fé, mas é dia de saudosa recordação, confortada pela fé, que nos garante que nosso relacionamento com as almas dos finados não está interrompido pela morte, mas é sempre vivo e atuante pela oração de sufrágio. A doutrina relativa aos finados põe em admirável luz a harmonia entre a justiça e a bondade de Deus Pai, de tal modo que também os corações mais frios não resistem hoje a um saudoso pensamento de piedade religiosa em favor dos irmãos falecidos.
Purgatório: o lugar de purificação
A fé nos ensina que existe um lugar de purificação pelas almas depois da morte, pois toda criatura que morre carrega faltas, misérias, dívidas espirituais por pecados cometidos, mesmo morrendo reconciliada com Deus. Essas faltas o impedem de entrar diretamente no Reino de Deus, que é o reino da santidade perfeita, da luz e felicidade. Deus, em Sua bondade, providenciou um lugar de purificação que a tradição da Igreja chamou de purgatório. O Catecismo da Igreja Católica afirma:
“O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, portanto, torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama «pena eterna» do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama Purgatório. Esta purificação liberta do que se chama «pena temporal» do pecado. Estas duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado. Uma conversão procedente duma caridade fervorosa pode chegar à total purificação do pecador, de modo que nenhuma pena subsista (82).” (CIC 1472)
Temos condições de oferecer preces, sacrifícios em sufrágios das almas do purgatório
A solidariedade espiritual
Pela solidariedade espiritual que existe entre os batizados por força de nossa inserção no Corpo Místico de Cristo, temos condições de oferecer preces, sacrifícios em sufrágios das almas do purgatório que ficam assim beneficiadas em suas penas. Esta doutrina já era conhecida no Antigo Testamento. De fato, lemos, no Segundo livro dos Macabeus que, depois de uma batalha do povo judeu contra os inimigos, Judas Macabeu mandou recolher ofertas a serem enviados ao Templo de Jerusalém solicitando orações e sacrifícios em sufrágio dos soldados tombados na guerra, pois ele concluiu: “É um pensamento santo e salutar orar pelos mortos para que sejam livres dos seus pecados” (2Mc 12,45). Também Jesus Cristo fez alusão aos pecados que não são perdoados nem nesta terra nem na outra vida.
Orações de sufrágio
Orações de sufrágio em favor das almas dos mortos sempre foram praticadas nas Igrejas desde os primeiros séculos. Nas catacumbas romanas onde se sepultavam os cristãos há inúmeras inscrições alusivas a preces que os defuntos solicitam dos irmãos na fé. Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, ao falecer perto de Roma, enquanto viajava para África, assim falava aos dois filhos que a acompanhavam: “Ponde meu corpo em qualquer lugar, e não vos preocupeis com ele. Só vos peço que, no altar de Deus, vos lembreis de mim, onde quer que estiveres”.
As almas dos nossos falecidos parecem dizer com o patriarca Jó: “Compadecei-vos de mim, ao menos vós que sois meus amigos, porque a mão do meu Senhor me tocou”.
“Santo e salutar é o pensamento de orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados.”
A indulgência e a oração pelos falecidos
Indulgência:
No dia de Finados, “aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Enchr. Indulgentiarum, n.13)”.
“Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semipúblicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai-Nosso e Creio, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai-Nosso e Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).” (pg. 462 do Diretório Litúrgico da CNBB).
Oração pelos falecidos:
Pai santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, nós Vos pedimos por (nome do falecido), que chamastes deste mundo. Dai-lhe a felicidade, a luz e a paz. Que ele, tendo passado pela morte, participe do convívio de Vossos santos na luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Que sua alma nada sofra, e Vos digneis ressuscitá-lo com os Vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa. Perdoai-lhe os pecados para que alcance junto a Vós a vida imortal no reino eterno. Por Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! (Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria.)
Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele a Vossa luz! Amém.
Finados — Do verbo finar, “chegar ao fim”, “morrer”, derivado do latim finire, de finis, “fim”. Dia dos Fiéis Defuntos, em que a Igreja reza pelos que já partiram.
“Minha oração – Senhor, nosso Deus, resgatai as almas dos nossos conhecidos e familiares do purgatório, além daquelas que necessitam das nossas orações. Pedimos também a intercessão para que sejamos santos e purificados nessa vida, a fim de chegar diretamente ao Céu. Amém.”
Almas do purgatório, rogai por nós!
São Odilo — Abade de Cluny, na França, que ordenou a todos os conventos da Ordem um ofício pelos defuntos, origem da comemoração universal de 2 de novembro.
Outros santos e beatos celebrados em 2 de novembro:
1
São Vitorino
Comemoração. Bispo de Poetóvio, na Panónia.
† c. 303
2
São Justo
Mártir. Em Trieste, na Ístria, atualmente na Itália.
† c. s. IV
3
Santos Cartério, Estiríaco, Tobias, Eudóxio, Agápio e companheiros
Mártires. Em Sebaste, na Arménia, hoje Sivas, na Turquia.
† c. 320
4
Santos Acindino, Pegásio, Aftónio, Elpidíforo, Anempodisto e numerosos companheiros
Mártires. Na antiga Pérsia.
† s. IV
5
São Donino
Bispo. Em Vienne, cidade da Gália Lionense, hoje na França. Dedicou-se à obra da redenção dos cativos.
† c. 538
6
São Marciano
Comemoração. Eremita nascido em Ciro, que se retirou para o deserto na Calcedónia.
† s. IV f.
7
Santo Ambrósio
Abade. No mosteiro de Agaune, entre os Helvécios, hoje Saint-Maurice-en-Valais, na Suíça.
† c. 520
8
Santa Vinfreda
Virgem. Junto a uma fonte situada em Holywell, localidade do País de Gales, venerada como monja insigne.
† c. s. VII
9
São Jorge
Bispo. Em Vienne, cidade da Borgonha, na moderna França.
† c. 670
10
São Malaquias
Bispo de Down e Connor. Sepultamento no mosteiro de Claraval, também na Borgonha.
† 1148
11
Beata Margarida de Lorena
Em Mortagne, cidade da Normandia, na França. Ao ficar viúva, abraçou a vida religiosa no mosteiro das Clarissas.
† 1521
12
Beato João Bodey
Mártir. Em Andover, no condado de Hampshire, na Inglaterra.
† 1583
13
Beato Pio de São Luís
Religioso da Congregação da Paixão. Em Casale, na Flamínia, hoje na Emília-Romanha, região da Itália.
† 1889
Fonte: Catecismo da Igreja Católica · O Santo do dia – Dom Servilio Conti, I.M.C. · Vatican.va